Dia do Folclore Brasileiro

Dia 22 de agosto, comemoramos o Dia do Folclore Brasileiro. Esse universo tão cheio de histórias e da identidade do povo brasileiro vem sendo celebrado oficialmente nesta data desde 1965, a partir do Decreto Nº 56.747. Hoje, falaremos um pouco sobre a definição do folclore, seus estudiosos e os elementos folclóricos brasileiros. Além disso, traremos de dicas para trabalhar essa data com as crianças em casa! Siga conosco!

 

O que é folclore?

 

Quem traz, pela primeira vez, a etimologia da palavra folclore foi o escritor inglês William Jhon Thoms, em 1846. Folk significa “povo” e lore, “conhecimento”. Juntas, representam os saberes tradicionais de um povo.

O folclore é um gênero da cultura popular capaz de traduzir a identidade social de determinada comunidade. É composto por elementos simbólicos e materiais que passeiam entre a música, culinária, artes visuais, literatura, histórias, medicina popular, festas, crenças, etc. É aquilo que um povo acumula e mantém de geração em geração, os costumes enraizados na forma de viver e compreender o seu espaço histórico, social e cultural.

A sociedade brasileira é fruto da confluência de culturas: indígena, africana e europeia. Uma confluência surgida em um contexto social muitas vezes tenso e desigual, mas, ainda assim, profundamente generosa – algo que se mostra no folclore.

Podemos perceber os antagonismos e as individualidades de cada região sendo marcados, mostrando que a diversidade não está somente no DNA, mas na forma comer, festejar, protestar, rezar e viver.

Tudo isso é expressado através de mitos, lendas, canções, danças, artesanatos, festas populares, brincadeiras, jogos etc.

 

Os folcloristas

 

 Os estudiosos do folclore o reconhecem como uma disciplina interligada às demais ciências humanas, como a psicologia, etnologia e sociologia. Isso porque ele trabalha a partir de representações dos anseios, medos, força, identidade, condições materiais e intelectuais, lutas e classes sociais da população brasileira.

Os folcloristas são os responsáveis por identificar esses elementos da realidade material e emocional da população expressa nas festas, figuras, lendas etc. Dentre os vários escritores da literatura e ciência popular brasileira, podemos citar Ariano Suassuna, Amadeu do Amaral, Florestan Fernandes, Inezita Barroso e, um dos mais engajados e experientes folcloristas brasileiros, Luís da Câmara Cascudo.

 

Câmara Cascudo reconhecia o folclore como realidade social, psíquica e cultural, o que implicava interpretá-lo em uma perspectiva sociológica. Fê-lo mais sistematicamente em 1941, com a criação da Sociedade Brasileira de Folclore. Segundo ele, o folclorista deve escrever e interpretar os dados culturais como fenômenos sociais, considerando-os parte das situações de vida em que esses dados foram observados (Gico, 2000. p.55).

 

Principais figuras e elementos do Folclore Brasileiro

 

Como já falamos, a diversidade do povo brasileiro é ilustrada no folclore, visto que temos uma gama enorme de elementos, figuras e representações que o compõe. Porém, há alguns personagens que estão presentes no nosso cotidiano desde a infância, como saci-pererê, curupira, mula sem cabeça, Iara, entre outros. Apesar de parecerem apenas personagens infantis dentro de fábulas e histórias mágicas, essas figuras estão carregadas de representatividade, história e elementos sociais, como toda a questão da valorização e preservação da cultura indígena que a Iara traz, por exemplo.

Além disso, a narrativa que os bois “Garantido” e “Caprichoso” trazem no Festival de Parintins (AM), por exemplo, trata de uma realidade social, de crenças e religiosidade, de emoções e histórias que trazem sentido real a toda a encenação.

As festas juninas, que se estenderam por todo Brasil, também são um grande patrimônio do folclore brasileiro, assim como o frevo, o samba de roda, os Centros de Tradições Gaúchas (CTG), entre outros.

Para que você possa aproveitar esse dia e trazer muita informação, conhecimento e diversão para sua casa nessa quarentena, listamos sugestões de atividades artísticas e leituras complementares para você realizar.

 

Atividades:

 

 1- Os nomes do Bumba Meu Boi.

Essa é uma tradição de ilustra bem a regionalidade do folclore, pois a mesma história recebe 8 nomes diferentes entre as regiões. São eles:

Bahia: boi-janeiro, boi-estrela-do-mar e mulinha-de-ouro

Espírito Santo: boi de reis

Minas Gerais e Rio de Janeiro: bumba ou folguedo-do-boi

Pará, Rondônia e Amazonas: boi-bumbá.

Paraná e Santa Catarina: boi-de-morrão

Pernambuco: boi-calemba

Rio Grande do Sul: bumba, boizinho ou boi-mamão

São Paulo: boi de jacá e dança-do-boi

Atividade: após ler e estudar essa lista com as crianças, escreva os nomes e as regiões separados em pedaços de papel, dobre e junte todos em um saquinho. Ao tirar um papel, o participante deve dizer o nome/região a que se refere. Por exemplo: tirei um papel que está escrito “Boi-calemba”, devo responder que a região em que esse nome é usado é Pernambuco.

 

2- Fantoche da Iara

Uma sereia morena, com cabelos longos e olhos escuros que vive no rio Amazonas. Você pode ler a história completa aqui e depois encenar com fantoches que podem ser feitos com caixas, papelões, retalhos e garrafas pet. Aí, você abusa da criatividade e deixa fluir.

 

3- Circuito Saci-Pererê

Para movimentar todo mundo e gastar essa energia acumulada na quarentena, que tal um circuito feito com uma perna só? Coloque caixas, cordas, tecidos e garrafas que devem ser ultrapassados enquanto o participante pula em uma perna só. Organize os objetos e etapas e divirta-se.

 

Leitura:

1- Os 5 folcloristas brasileiros que você precisa conhecer

https://www.ebiografia.com/folcloristas_brasileiros/#:~:text=Suas%20mais%20variadas%20obras%20partiam,o%20que%20temos%20de%20particular.

 

2- Diz a Lenda – Folclore Brasileiro

http://www.multirio.rj.gov.br/media/PDF/pdf_4251.pdf

Referências:

FRADE, Cáscia. Folclore/Cultura Popular: aspectos de sua História. Encontrado em: https://www.unicamp.br/folclore/Material/extra_aspectos.pdf

 

GICO, Vania de Vasconcelos. Luis da Câmara Cascudo e o Conhecimento da Tradição. UFRN, 2000. Encontrado em: file:///C:/Users/O%20Foca/Downloads/10721-Texto%20do%20artigo-30480-1-10-20161101.pdf

12 de Agosto – Dia Nacional das Artes

A comemoração do Dia Nacional das Artes em 12 de agosto foi definida a partir de duas leis que se referem à regulamentação da profissão de Artista e Técnico em Espetáculos e Diversões, sancionadas em maio e outubro de 1978 (Leis Nº 6.533 e Nº 82.385). A oficialização da data institucionaliza a valorização das manifestações artísticas, essenciais para a expressão e a existência humana.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a Arte compõe o quadro de disciplinas do ensino básico, partindo do princípio que enuncia a “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber”. Sabendo da importância da Arte para a educação, falaremos um pouco sobre sua definição e seu papel social e individual, além de maneiras de trabalhar essa data nas atividades escolares.

 

O que é Arte?

A palavra Arte tem origem no vocábulo latino ars, que significa “técnica” ou “habilidade”. Seu conceito pode ser definido como uma atividade humana que usa de diversas linguagens para expressão de sentimentos, história e cultura, criada dentro de valores estéticos e narrativos, de beleza, equilíbrio e harmonia. Tem caráter subjetivo, pois, embora seja criada com um propósito pelo artista, é percebida por nós a partir da nossa experiência, sentimentos e imaginação. A arte, então, é sempre compartilhada por quem a ela reage.

É fundamental para formação humana, pois é uma poderosa ferramenta de expressão e interpretação de emoções e sentimentos. Além disso, tem uma função social importante, pois é carregada de significados e representações culturais extremamente valiosos para nosso entendimento como sociedade.

 

Quem é o artista?

De acordo com a legislação brasileira, artista é o profissional que “cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública”

É o artista que, através da sua criatividade e talento, emociona, alegra, intriga e engaja o público.

Mas, para além de uma definição profissional, artista é aquele que usa da arte para expressar-se de forma genuína, podendo ter inspirações emocionais, políticas, culturais, religiosas, sociais etc. É o indivíduo que traz sua interpretação de algum aspecto do mundo expressa dentro de uma linguagem estética e narrativa, seja ela a música, o teatro, a fotografia, o cinema, a pintura, a arquitetura, a literatura, a dança, o circo ou qualquer outra forma de arte.

 

Sugestões de atividades escolares para o Dia das Artes

Para celebrar essa data tão importante, indicamos algumas atividades para transportar os estudantes ao mundo das artes e que podem ser realizadas remotamente:

1- Sessão de cinema: escolha um filme que possa ser contextualizado com algum conteúdo curricular e depois promova discussões sobre as interpretações e associações feitas pelos estudantes;

2- Festival de talentos: essa é uma forma de descontrair e engajar os estudantes neste momento de isolamento que pode ser bastante delicado para crianças e adolescentes;

3- Gincana de curiosidades artísticas: formule uma gincana de pesquisa sobre curiosidades do mundo da arte envolvendo obras, museus, artistas e correntes artísticas. Além do tom descontraído de uma “competição”, os estudantes terão acesso a diversas informações e conteúdos diferentes enquanto pesquisam, aumentando seu conhecimento sobre o assunto.

 

Celebrar o Dia das Artes reforça o valor dos artistas e de suas produções para a sociedade, além de nos incentivar a expressar e a interpretar nossas próprias emoções. Essa, que é também uma grande ferramenta educacional, deve ser valorizada e difundida em todos os espaços. Para finalizar, indicamos dois documentários que trazem discussões e histórias importantíssimas acerca do tema. Esperamos que gostem!

SÉRIE “THE GREAT ARTISTS” (2006)

https://youtu.be/l1qzjuM20f4 (Episódio: “Manet”)

 

“LIXO EXTRAORDINÁRIO” (2010)

https://youtu.be/_4Xkml9dJLM

Foco, concentração e disciplina na quarentena: dicas para educadores organizarem sua rotina de Home Office

Sabemos o quanto pode ser difícil ter que mudar abruptamente os horários, estrutura, ambiente e modo de trabalho. A pandemia da COVID-19 exigiu que os profissionais da educação encontrassem maneiras rápidas e eficazes de adaptar suas metodologias ao ambiente virtual para dar seguimento ao ano letivo. Trabalhar em casa, porém, traz desafios que vão além da abordagem e método de ensino. São questões individuais e pessoais que influenciam diretamente no nosso desempenho, mas que podem ser trabalhadas a partir de uma reorganização da rotina e dos espaços.

Separamos 3 dicas básicas e cruciais para ajudar você a eliminar os fatores que causam desconcentração, dispersão, cansaço mental e improdutividade nesta quarentena.

 

1- Organize e defina seu espaço de trabalho

Estudos apontam que trabalhar em ambientes comuns de “descanso”, como o quarto, pode fazer com que nosso cérebro entre em um estado de confusão sobre quais impulsos deve enviar ao corpo. Isso acontece porque criamos associações mentais entre aquilo que estamos fazendo, o que deveríamos fazer e o lugar onde estamos.

Dessa forma, não só a produtividade é prejudicada, como também o nosso sono e, consequentemente, nossa saúde física e mental.

Por isso, é de extrema importância que as atividades do trabalho sejam realizadas fora do quarto, em um escritório ou mesmo em um outro cômodo que facilite o foco. A ideia é configurar a mente para um novo ambiente – nunca, o quarto – que seja associado ao trabalho. Assim, o sono e o relaxamento do corpo e da mente acontecerão com mais facilidade e qualidade.

Também é importante que o espaço seja organizado e sem muitos estímulos visuais e sonoros, para ajudar na concentração.

 

2- Gerencie seu tempo

Preparar as aulas virtuais pode demandar de mais tempo do que estamos acostumados. A maioria dos professores não tem experiência prévia com aulas remotas e acaba tendo dificuldades para desenvolver os conteúdos e atividades.

E está tudo bem! Esse formato é uma solução temporária, que tem exigido muito aprendizado por parte dos educadores. E aprendizado, como todos sabemos, não acontece de uma hora para outra.

Por isso, tenha como prioridade o bom gerenciamento do seu tempo. Divida sua rotina com horários estipulados para estudos e atualizações.

Se você destinar uma hora diária para pesquisar dicas de abordagens e atividades virtuais, em uma semana você terá desenvolvido inúmeras habilidades e aprendido coisas valiosas para ser mais ágil e assertivo no preparo das aulas.

Para isso, você vai precisar de disciplina e planejamento. Então, aposte em tabelas para que você possa visualizar melhor as horas do seu dia, organizando seus horários e eliminando a sensação de sobrecarga e falta de tempo.

 

3-Cuide da sua saúde mental

A ansiedade gerada pela instabilidade e vulnerabilidade que cerca nossas vidas pode fazer com que fiquemos estagnados, presos no medo e no sentimento de impotência. Ao organizar a sua rotina, não esqueça de destinar um tempo para realizar alguma atividade que traga a sensação de bem estar, seja envolvendo arte, cozinha, meditação, leitura, música ou qualquer outra coisa da sua preferência.

“Mas isso influencia no meu trabalho?”, você pode se pergunta. E a resposta é: sim, e de forma direta! Se você tem momentos de prazer e autocuidado, sua mente consegue se reabastecer de estímulos positivos, recuperar-se do cansaço e concentrar mais energia durante o trabalho.

Conte para a gente como tem sido sua rotina de trabalho em casa e se você tem encontrado dificuldades para se manter produtivo (a) nessa quarentena. Se sim, aplique essas dicas na sua rotina e depois nos conte os resultados. Se não, conte para a gente como você faz para aliviar essa pressão e se manter focado (a).

Ter uma rede de apoio e conversar sobre as experiências é excelente para saber que não estamos sozinhos – e que logo tudo isso vai passar, com boas lições!

A importância da Ludicidade na Educação Infantil

Ludicidade é um termo que tem origem na palavra latina “ludus”, que significa jogo ou brincar. Na educação, usamos o conceito do lúdico para nos referir a jogos, brincadeiras e qualquer exercício que trabalhe a imaginação e a fantasia. A ludicidade é um instrumento potente para o processo de ensino-aprendizagem em qualquer nível de formação, mas está presente com mais frequência na Educação Infantil. Isso porque, na infância, a forma como a criança interpreta, conhece e opera sobre o mundo é, naturalmente, lúdica.

Falaremos hoje sobre a importância de valorizar e incentivar o uso da ludicidade na educação infantil, para que, por meio das brincadeiras, a criança desenvolva melhor suas habilidades cognitivas, sociais e psicomotoras.

 

Habilidades cognitivas

O brincar desempenha um papel extremamente importante na constituição do pensamento infantil. É através dele que se inicia uma relação cognitiva do indivíduo com o mundo de eventos, coisas, símbolos e pessoas que o rodeia. A partir da brincadeira, a criança reproduz o discurso externo, o internaliza, interpreta e constrói seu próprio pensamento. Essa acaba sendo a linguagem infantil, à qual Vygotsky (1984) atribui um importante papel para o desenvolvimento cognitivo à medida que sistematiza as experiências e colabora com a organização dos processos em andamento.

Por isso, devemos valorizar e direcionar a brincadeira, quando utilizada como instrumento pedagógico. Processos de pré-alfabetização, por exemplo, podem acontecer de forma natural e fluida quando realizados à partir da ludicidade.

Porém, é preciso tomar muito cuidado para não tirar a brincadeira dessa roupagem natural, pois o lúdico é uma metodologia pedagógica que ensina brincando e tem objetivos, mas nunca cobranças.

 

Habilidades Socioafetivas

Ao brincar, a criança desenvolve uma relação afetiva com o mundo, com os objetos e, principalmente, com as pessoas ao seu redor. Isso faz com que ela se depare com limites, vontades, desejos e interpretações diferentes das suas, havendo, então, uma troca valiosa que constrói suas habilidades sociais. Ao entrar em contato com diferentes perspectivas e personalidades enquanto brinca, a criança alinha suas capacidades emocionais à convivência e à coexistência.

Trabalhar os conceitos de cooperação, coletividade e trabalho em grupo através de brincadeiras com a turma, ou mesmo em casa com a família, desenvolve noções de respeito e igualdade em relação ao outro, valores que são extremamente importantes para a convivência em sociedade.

 

Habilidades Psicomotoras

Muito se fala dos efeitos alienadores do uso excessivo de tecnologias e jogos digitais na infância. Isso afeta, além das habilidades sociais, o desenvolvimento psicomotor da criança, pois limita os estímulos que ela recebe a uma fonte inorgânica e artificial de conteúdos. Isso não faz desse tipo de recurso algo a ser completamente negado – ele, por certo, também tem seu espaço. Porém, correr, pular, dançar, escalar e conhecer o mundo através dos instintos e dos sentidos fazem com que a criança explore melhor seu próprio corpo. Isso, atrelado à ludicidade, traz habilidades como autoconfiança, autoestima e superação, eliminando inseguranças em relação ao mundo externo e às limitações internas.

Na escola, as brincadeiras de corda, pega-pega, circuitos, gincanas, esportes e dança são atividades que devem ser frequentes, pois, além de trazer benefícios individuais, fazem com que o cotidiano seja mais dinâmico e atrativo, tanto para as crianças quanto para os professores.

Ludicidade como metodologia significa respeitar a interpretação da criança sobre o mundo e o lugar que ela ocupa nele. Através do lúdico, a criatividade, curiosidade e o desejo por saber acontecem de maneira natural, ampla e fluida, fazendo com que a educação aconteça de forma emancipadora, afetiva e plural.

Separamos dois artigos científicos que abordam o tema da ludicidade da educação infantil para que você possa continuar o estudo, se desejar.

Para mais conteúdos como esse, acompanhe o blog e as redes sociais da Editora Opet. Estamos sempre buscando melhorar o mundo e as relações através de uma educação que aproxima e liberta.

 

Sugestões de leitura:

  • A Importância do Lúdico na Educação Infantil – Fábio A. Porangaba, Sandra de Souza M. Porangaba e Silvane de Souza Meneses.

http://www.lambaridoeste.mt.gov.br/secretarias/educacao-e-cultura/artigos-dos-professores/59/view/672

  • A Ludicidade Construindo a Aprendizagem de Crianças na Educação Infantil – Ana Maria da Silva

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/a-ludicidadeconstruindo-a-aprendizagem-de-criancas-na-educacao-infantil/50878

Aulas Remotas e EAD: qual a diferença?

O distanciamento social, principal medida sugerida para a contenção do coronavírus, exigiu das instituições de ensino uma adaptação rápida ao ambiente virtual. As aulas remotas têm sido a única alternativa para milhões de educadores e estudantes continuarem as atividades escolares, na tentativa de mitigar a defasagem ensino-aprendizagem no contexto da pandemia.

Nos debates que ocorrem dentro desse processo, muitas vezes as aulas remotas – um recurso de emergência – são associadas à modalidade de ensino a distância (EAD), oferecida por diversas instituições de ensino no Brasil e no mundo.

Vale destacar que aulas remotas e EAD não são a mesma coisa. São bem distintas e não podem ser entendidas da mesma forma. Neste artigo, vamos apontar a diferença entre essas duas realidades, esclarecendo possíveis dúvidas e evitando confusões conceituais.

Um plano emergencial de ensino

Em sua primeira divulgação do Plano Emergencial de Ensino, em março deste ano, o MEC autorizou a substituição de aulas presenciais pelo formato remoto, no qual as instituições podem utilizar tecnologias da informação e comunicação – as chamadas TIC – para dar continuidade aos cursos durante a pandemia. A princípio, a pasta se referia apenas às instituições federais, universidades e institutos. Mas, logo, o recurso passou a ser utilizado também pelas instituições do ensino básico, tanto da rede pública quanto privada, devido ao agravamento do quadro da covid-19 no país.

Em abril, o Conselho Nacional de Educação autorizou a oferta de atividades não presenciais em todas as etapas do ensino para que as instituições pudessem reorganizar o calendário escolar e dar continuidade, de forma adaptada, às atividades do ano letivo. Dessa forma, as aulas remotas passaram a ser uma solução temporária para dar seguimento ao trabalho com os estudantes de maneira segura.

 

O EAD

EAD, ou Educação a Distância, é uma modalidade de ensino antiga – ela existe desde o século XIX –, que possui diretrizes e pré-requisitos próprios, com estrutura e metodologia pensadas para promover educação à distância. É desenvolvida para prestar atendimento, aplicar atividades e avaliações, aulas e todas as demandas de um ambiente de aprendizado, com recursos tecnológicos e acadêmicos para promover o ensino.

Na modalidade EAD, a maioria das videoaulas são gravadas e dispostas em uma plataforma, na qual o estudante as assiste e avança conforme sua compreensão do assunto. O material didático é padronizado, assim como as atividades e avaliações. Geralmente, o conteúdo EAD é organizado por módulos, mas o seu calendário segue um padrão unificado.

O suporte acadêmico é feito por um tutor, que fica disponível para tirar dúvidas e passar orientações mais diretas sobre as atividades. Porém, o docente também mantém um contato com o estudante através de fóruns, avaliações e auxílio acadêmico propriamente dito.

Resumindo: o Ensino a Distância (EAD) foi desenvolvido e estruturado para acontecer, especificamente, no ambiente virtual, considerando todo aparato tecnológico e acadêmico para que isso seja possível. Diferente das aulas remotas, não é uma solução imediata para um problema que impossibilita as aulas presenciais. É uma concepção didático-pedagógica que promove o ensino a partir de estruturas e métodos específicos e que utilizam recursos digitais e audiovisuais para formação discente.

 

Aulas Remotas

Como já observamos, as aulas remotas são uma solução temporária para que as instituições continuem a promover o ensino mesmo durante a pandemia, mas não fazem parte de uma estrutura de ensino EAD.

Utilizando a plataforma de ensino à distância do MEC ou mesmo da própria instituição, os educadores conectam-se com os estudantes e promovem aulas em tempo real, com interação e comunicação direta. O material didático é customizado pelo próprio professor e as atividades são aplicadas de acordo com o desenvolvimento da disciplina, não são programadas e padronizadas como na EAD.

Um ponto importante a ser destacado é o da formação docente. Embora o uso da tecnologia como recurso didático seja uma pauta constante nos debates sobre educação, o conhecimento e formação de um docente que trabalha com EAD são muito mais direcionados e específicos. Isso porque, aqui, a tecnologia não aparece apenas como uma ferramenta, mas como o meio pelo qual o ensino deve ser desenvolvido. Por isso, não é coerente exigir que os educadores que normalmente atuam no ensino presencial tenham um desempenho semelhante aos professores do EAD.

Temos, hoje, milhares de professores que viram sua rotina profissional completamente transformada e que precisaram se adaptar rapidamente em termos de atuação, planejamento e recursos.

A todos, nesse momento, é necessário dedicação e esforço para que possamos reinventar nossos métodos e renovar nossas habilidades, mas isto é um processo. Por isso, a Editora Opet traz, diariamente, informações e debates em suas redes e plataformas digitais, além dos momentos formativos e dos recursos digitais aos nossos parceiros públicos e privados. Para que, juntos, possamos encontrar as melhores maneiras de garantir e zelar pela educação, neste que é um momento tão difícil para todos. Acompanhe e junte-se a nós nessa missão!

Sugestão de leitura:

  • Aulas Remotas ou EAD?

https://abmes.org.br/noticias/detalhe/3705/aulas-remotas-ou-ead

Sugestão de Vídeo:

  • Live Moonshot Educação – O que é Ensino Remoto Emergencial e por que não é Ensino à Distância

https://www.youtube.com/watch?v=JIh-bEYy-s8

Prova Digital: conheça a proposta da mudança do ENEM e como funcionará este novo formato

(*) – ATENÇÃO: As provas escritas do ENEM de 2020 foram remarcadas para os dias 17 e 24 de janeiro de 2021 e as provas digitais para os dias 31 de janeiro e 07 de fevereiro.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) é responsável pela realização das provas do ENEM. Há alguns meses, junto com o MEC, o INEP anunciou uma mudança importante no ENEM, que passará a ter formato digital. A polêmica sobre o adiamento da prova tradicional, impressa, em função da pandemia do coronavírus, fomentou discussões e questionamentos sobre essa notícia. Por isso, vamos explorar o tema, esclarecer alguns pontos e orientar nossos leitores sobre as implicações dessa mudança. Quer saber mais sobre o ENEM digital? Então, continue lendo!

O que é o ENEM digital?

O ENEM Digital é uma proposta do INEP e do MEC para mudar o modelo do ENEM. De 2020/21 a 2025, a meta é aplicar a prova digital em paralelo à prova impressa e de forma escalonada, até que, em 2026, todo o processo seja digital. A principal justificativa do MEC para a mudança é de que o novo formato eliminaria questões logísticas de impressão, depósito, guarda, distribuição e recolhimento de milhões de provas, com uma grande economia de recursos. Além disso, o formato digital permite o fracionamento das provas, que poderiam ser feitas em vários momentos do ano e não em um único período.

Quem pode participar do ENEM Digital?

Podem realizar as provas digitais estudantes que já concluíram o Ensino Médio ou que concluirão até o final deste ano. A princípio, essa opção não estará disponível para treineiros e estudantes que necessitam de atendimento especial, como recursos de acessibilidade, por exemplo.

Neste ano, de acordo com o edital, 101,1 mil participantes realizarão a prova no formato digital. A ideia é que esse número aumente a cada ano, até que todos os participantes que se inscrevem anualmente façam a prova no computador.

Onde o ENEM Digital será realizado?

As provas serão aplicadas em locais com infraestrutura adequada para receber os computadores utilizados pelos participantes. Eles terão acesso apenas ao sistema da prova, sendo impedidos de acessar a internet ou quaisquer outros documentos ou equipamentos. Como já ocorre no ENEM em formato impresso, haverá fiscalização nos locais de prova.

Os estudantes que, no ato da inscrição deste ano, optaram pela prova digital, realizarão o exame em local determinado pelo INEP, que selecionará universidades e escolas que já contem com um centro de informática adequado.

É possível fazer a prova digital e impressa?

Não. No ato de inscrição, os participantes devem escolher apenas uma das opções. As duas provas terão o mesmo formato (180 questões + redação), mas com perguntas diferentes. O ENEM Digital será feito pelos primeiros 101,1 mil candidatos que se inscreverem optando pelo formato de prova. Esses candidatos devem atender os requisitos para a inscrição ao ENEM e residir em uma das 15 capitais selecionadas para a aplicação digital.

E O ENEM, acontece quando?

Segundo informações divulgadas pelo MEC nesta quarta-feira (08.07), as provas impressas serão aplicadas nos dias 17 e 24 de janeiro de 2021, enquanto a versão digital está marcada para 31 de janeiro e 07 de fevereiro. A reaplicação do ENEM será nos dias 24 e 25 de fevereiro, com resultados divulgados a partir de 29 de março.

É preciso valorizar o ENEM

Seja no formato digital, seja no formato impresso, o ENEM é um importante recurso para que milhões de estudantes brasileiros cheguem ao ensino superior. Ele também fortalece a educação, na medida em que avalia os estudantes e o próprio Ensino Médio.

No blog da Editora Opet, publicamos semanalmente conteúdos que abordam as melhorias, mudanças, necessidades, problemas, impactos e objetivos da educação. Acompanhe e participe!

Sugestão de Leitura:

Brasil Escola: Enem Digital 2020.

https://vestibular.brasilescola.uol.com.br/enem/enem-digital-2020.htm

Portal do MEC: Enem Digital.

http://portal.mec.gov.br/images/stories/noticias/2019/junho/03.07.2019_Coletiva-lanamento-Enem-Digital.pdf

Fogueira Virtual, animação real: uma jornada pelas festas juninas virtuais dos parceiros Opet

Para a escolas, as festas juninas são um momento de integração da comunidade e de promoção da cultura brasileira. Neste ano, por conta da pandemia e do distanciamento social, os gestores tiveram um desafio enorme: sem “deixar a peteca cair”, realizar as festas no ambiente virtual, engajando e animando as famílias.

Francisco Glaylson Rodrigues, supervisor regional da Editora Opet para o Ceará, é apaixonado pelas festas juninas. O mês de junho é o nosso mês mais alegre e colorido. É uma verdadeira celebração! O dia de São João, por exemplo, é como se fosse nosso Natal”, vibra. Apesar de tudo, em 2020 as festas aconteceram – adaptadas às novas circunstâncias, mas cheias de energia. “Não perdemos a alegria. Os gestores e as famílias criaram lives, videoconferências e festas online. Com direito a bolo de milho, pamonha, dança e confraternização em família.”

Em Fortaleza, a Escola Municipal Dois de Dezembro foi uma dentre muitas escolas que realizaram sua festa online. Sua coordenadora, professora Orlenilda de Souza, fala sobre a importância dessas festas. “Elas representam a cultura nordestina em seus diferentes aspectos: a comida, os trajes, a música, a dança, as parlendas, as brincadeiras”, explica. E aí reside sua importância em termos de educação. “Como toda essa tradição já faz parte do cotidiano da nossa gente nas diversas esferas, inclusive familiar, trabalhar as festas juninas torna os conteúdos curriculares mais significativos. Conhecer e valorizar o conhecimento de mundo do educando torna o processo de ensino e aprendizagem mais significativo.”

Normalmente, conta Orlenilda, as festas juninas são trabalhadas a partir de um projeto multidisciplinar que envolve toda a comunidade escolar em junho, culminando com um festival com quadrilhas e forró, barracas com comidas e bebidas típicas, além de muitas brincadeiras. “O papel das famílias é fundamental”, reforça.

Neste ano, esse projeto foi transposto para o ambiente virtual. “Todos participaram: alunos, professores e grupo gestor. E a culminância – o ‘forró virtual’ – foi construída a partir dos vídeos e fotos que os professores e os estudantes enviaram.”

Orlenilda ficou satisfeita. “Os desafios que esse momento nos trouxe fez com que agregássemos novas formas de pensar no processo ensino-aprendizagem. Esses conhecimentos, aliás, serão somados à nossa forma de ensino pós-pandemia.”

Crianças da Escola Municipal 02 de dezembro, de Fortaleza, mostram suas “artes juninas” nas redes sociais. Festas são forma de mergulhar na cultura brasileira.

Angicos – O Plenitude Complexo Educacional, escola particular de Angicos (RN), também não deixou passar as festas juninas em branco, como conta a diretora Rosicleide Sebastiana de Melo. O fio condutor foi um poema escrito por um estudante do sétimo ano do Ensino Fundamental, que relembrou os festejos de anos anteriores. O poema foi recitado e gravado pelos docentes. Além disso, durante as aulas virtuais, estudantes e professores trabalharam juntos a cultura nordestina associada à época.

Como substituir esse momento sem perder o encanto?”, pergunta Rosicleide.  Segundo ela, a solução foi produzir e distribuir vídeos. “O auxílio da plataforma Gsuite e da ferramenta Google Meet, da Editora Opet, assim como dos familiares em casa, foram determinantes para o nosso ‘Arraiá Virtuá’”, conta. “Cada família caprichou na caracterização das crianças com as fantasias, cenários e preparação das comidas típicas. E os professores trabalharam para empolgar os alunos, organizando brincadeiras e as tradicionais quadrilhas juninas. Cada um na sua casa, mas com muito empenho e amor!”.

Em Angicos, as famílias levaram o “Arraiá” para dentro das casas e compartilharam no meio digital.

Afogados da Ingazeira – A professora Cláudia Barros é mantenedora do Colégio Dom Hélder Câmara, tradicional instituição de ensino de Afogados da Ingazeira (PE). Segundo ela, o engajamento dos gestores, professores, estudantes e famílias foi fundamental para o sucesso da festa de 2020, que teve brincadeiras, danças, jogos e muita comida. Em cada casa, uma festa – conectada às outras festas pela via digital.

“As festas juninas são um marco de preservação da nossa cultura”, explica Cláudia. Para “esquentar o clima” e matar saudades, o colégio produziu um vídeo com os melhores momentos da festa de 2019. E a festa deste ano também rendeu um belo vídeo, o que prova a animação, mesmo em tempos de distanciamento social.

“Arraiá Virtual” do Colégio Opet teve música, culinária, quadrilha, música, dança, brincadeiras e bingo!

Mosaico com momentos do “Arraiá Virtual” do Colégio Opet. Planejada com muito cuidado, a festa virtual foi um grande sucesso!Em Curitiba, o Colégio Opet planejou com muito carinho sua festa junina virtual deste ano, o “Arraiá Virtual”, realizada no último dia 27. Ela foi pensada para oferecer à comunidade escolar uma experiência que, neste momento tão peculiar, traduzisse a alegria e os saberes de uma celebração muito rica e querida pelas pessoas.

A diretora pedagógica do Colégio, professora Caren Helpa, explica que a festa virtual foi pensada em três momentos: primeiro, foi feita uma live com os estudantes e suas famílias sobre a preparação dos enfeites e adornos juninos; a seguir, foi feita a entrega, em um drive-thru às famílias, de “kits juninos”, com doces, materiais para a confecção de um jogo de “pescaria” e uma cartela do bingo virtual; por fim, a coroação com a festa virtual, que aconteceu no ambiente digital, com atrações transmitidas (com todos os cuidados sanitários) diretamente do Colégio Opet.

“Com o ‘Arraiá Virtual’, tivemos como grande objetivo oferecer às famílias um momento cultural em contato com a arte, a dança, a culinária e a cultura juninas. Mas, principalmente, quisemos oferecer um momento de alegria na casa das pessoas”, conta Caren. O trabalho começou quarenta dias antes da festa. Nesse período, os professores se reuniram virtualmente para discutir como seria a festa e como seriam inseridos os elementos juninos trabalhados nas aulas remotas pelos professores com os estudantes. “Nessas reuniões semanais, fomos desenhando a festa e elaborando os roteiros até chegar à versão final, do sábado, dia 27”, explica a diretora.

Caren destaca o trabalho dos professores de Educação Física e Música e das professoras regentes, que ao longo do período, fizeram pesquisas, lives, videoaulas e leituras com suas turmas. “Enquanto, em uma instância, uma equipe planejava a festa junina para a comunidade, nessa instância os professores trabalharam os conteúdos com muito cuidado”, explica.

Ferramentas digitais – A realização dos encontros preparatórios e da própria festa virtual foi possível, também, graças ao suporte da Editora Opet, que forneceu e-mails “@souopet” para os estudantes e “@opeteducation” para os professores.

A partir do cadastro desses e-mails, dentro da ferramenta Google Meet, foi possível realizar os encontros virtuais e a própria festa. “É uma ferramenta importante porque fornece recursos que garantem segurança e grande interação no período de distanciamento”, observa a gerente pedagógica da Editora, Cliciane Élen Augusto. “Os encontros no Google Meet permitem reunir, por exemplo, até 250 pessoas simultaneamente, e oferecem a interação com vídeos, áudios e chat. Uma grande interação, enfim, necessária à educação e, é claro, a uma boa festa virtual.”

A festa – No dia 27, o “Arraiá Virtual” foi aberto oficialmente de dentro do Colégio Opet, pelo professor atelierista Guga Cidral. Acompanhado do professor de Educação Física Rafael Racciope e de dois músicos, ele explicou o porquê da festa em todos os seus elementos, da religiosidade às comidas, trajes, música e danças. Ao mesmo tempo, remotamente, os professores colaboraram com informações e atividades relacionadas à comemoração. E, é claro, aconteceu o famoso bingo, uma tradição junina do Colégio Opet.

As famílias, conta Caren, se engajaram fortemente. “Essa participação foi uma grande alegria. Antes da festa, fizemos uma live com dicas sobre a produção de bandeirinhas e adereços juninos. E, nas transmissões, vimos as casas decoradas e as pessoas com os trajes típicos. Foi uma emoção singular”, comemora. “Recebemos muitas mensagens de agradecimento pelo momento de alegria, leveza e interação que o Colégio proporcionou.”

Língua portuguesa: diversidade étnica e cultural

Dia da Língua Portuguesa

Um pequeno país cheio de histórias e um idioma que ganhou o mundo! Estamos falando, é claro, de Portugal e de sua língua, o nosso amado português. Pois hoje o mundo celebra o Dia da Língua Portuguesa, que é falada por 250 milhões de pessoas nos quatro cantos do mundo. A data lembra a morte de Luís Vaz de Camões (1524-1580), autor dos “Lusíadas”, poema épico que inaugurou a literatura portuguesa e ajudou a estruturar nosso idioma para além da forma falada. Um idioma tão importante também é comemorado em outras duas datas: 5 de maio e, no caso do Brasil, 5 de novembro.

Rico, complexo, hermético e diverso, o português é a quinta língua mais falada do planeta e a terceira entre as ocidentais (depois do inglês e do espanhol) e, em suas várias formas, é considerada a língua mais sonora do mundo.

 

Quem fala português?

Povos da Europa, África, América, Ásia e Oceania. A língua portuguesa acompanha a presença portuguesa no mundo a partir do século XVI. Assim, temos como países em que a língua portuguesa é o idioma oficial, além de Portugal, o Brasil (que responde por 80% dos falantes), Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Guiné Equatorial. Até na China fala-se o português! Mais exatamente em Macau, ilha vizinha a Hong Kong que foi possessão portuguesa por séculos. E há, também, muitos falantes de português entre imigrantes, em países como os Estados Unidos, a França e o Japão.

Vale ressaltar que, ao nos referirmos ao português como idioma desses países, estamos falando de um código linguístico comum, mas que tem variações vocabulares, fonéticas e gramaticais de acordo com as particularidades geográficas e culturais de cada país. Essa diversidade pode ser ilustrada pela frase do escritor português José Saramago: “Não há uma língua portuguesa, há línguas em português”.

 

Origem

De onde veio o português? Misture romanos, fenícios, celtas, árabes e outros povos que circularam pela Península Ibérica e pronto! Eis aí a origem da língua portuguesa. Mas, claro, não é tão simples assim.

Estima-se que o português surgiu entre os séculos IX e XII, no período de estruturação do reino de Portugal. Assim como o catalão e o castelhano, o galaico-português, que resultou na língua portuguesa, tem sua origem no latim vulgar, idioma falado pelas classes baixas do Império Romano (o atual galego, um dos idiomas oficiais da Espanha, é bem parecido com o português).

As chamadas línguas neolatinas se difundiram pela Península Ibérica durante todo o período de dominação romana, sofrendo influência dos povos árabes e germânicos que também dominaram a região. Mas, somente por volta do século XI é que o galaico-português passou a ser falado e escrito livremente na Lusitânia (nome pelo qual a região de Portugal era conhecida pelos romanos).

Alguns séculos depois, a partir do século XV, a língua portuguesa foi estendida para regiões da África, América e Ásia, através dos movimentos colonizadores de Portugal.

 

Língua Portuguesa no Brasil

É impossível falar sobre o português no Brasil sem considerar a riqueza da contribuição dos povos originários. O contato e a mistura entre a língua portuguesa e as muitas línguas indígenas no período colonial contribuíram para um enriquecimento extraordinário do nosso idioma. De acordo com a pesquisadora Ana Suelly Cabral, mais de 80% das palavras que nomeiam plantas e animais brasileiros são oriundas do tupinambá.

Os povos africanos trazidos pelo tráfico de escravos também contribuíram muito para a formação do idioma brasileiro. Embora tivessem sua cultura reprimida violentamente, os africanos escravizados não abandonaram sua herança e fizeram dela uma parte valiosa da nossa história. Dentre os diversos dialetos da África, os que tiveram maior impacto no Brasil foram o quimbundo, quicongo e umbundo, do grupo bantu. Isso representa grande parte do nosso dicionário, retratando uma miscigenação linguística cheia de história e valor.

Além disso, há uma diversidade vocabular regional no Brasil que acentua a pluralidade do idioma. Um mesmo pão, por exemplo, pode ter mais de cinco nomes de norte a sul do país! Na raiz de toda essa riqueza estão as invasões no período colonial e, especialmente, a presença dos imigrantes a partir de meados do século XIX.

Se há uma palavra que pode ilustrar a língua portuguesa, é esta: diversidade*.

Uma diversidade que se manifesta todos os dias na dinâmica do idioma, nos livros, notícias, gírias e falares. E que também está na história, no contato, na tensão e na composição dos olhares europeu, indígena e africano.

A língua portuguesa é nosso grande patrimônio. É a matéria-prima da nossa literatura e a verbalização da nossa história. Comemorar essa data é reconhecer e valorizar a expressão de um povo, é zelar pela nossa poesia e fortalecer a nossa fala.

Selecionamos 10 grandes obras da língua portuguesa, além de dois documentários, para celebrar o Dia da Língua Portuguesa com nossos leitores.

Aproveite!

1 – O quarto de despejo – Carolina de Jesus

2 – Dom Casmurro – Machado de Assis

3 – Ensaio sobre a cegueira – José Saramago

4 – Sepé Tiaraju: romance dos sete povos da missões – Alcy Cheuiche

5 – O Auto da Compadecida – Ariano Suassuna

6 – Mulheres de Cinza – Mia Couto

7 – Os Quinze – Rachel de Queiroz

8 – O Guarani – José de Alencar

9 – A Rosa do povo – Carlos Drummond de Andrade

10 – A hora da estrela – Clarice Lispector

Documentários:

Língua – Vidas em Português

https://www.youtube.com/watch?v=JBmLzbjmhhg

Português, a língua do Brasil

https://www.youtube.com/watch?v=-bbT7QmdNS

Sugestão de leitura complementar:

A língua que somos – José Ribamar Bessa Freire

http://www.taquiprati.com.br/cronica/1047-a-lingua-que-somos

 

*di-ver-si-da-de  – substantivo feminino

  1. qualidade daquilo que é diverso, variado, variedade;
  2. conjunto variado, multiplicidade

Utilização dos materiais produzidos pelas escolas no pós-pandemia

Neste contexto de isolamento social, muitas escolas e professores despendem um esforço diário para conseguir manter a qualidade das aulas no ambiente virtual. Uma série de estratégias e materiais estão sendo desenvolvidos para qualificar o ensino a distância. Esses materiais podem ser um recurso de apoio para as escolas após a pandemia, visto que o retorno não será do ponto onde havíamos parado.

As pesquisas e a literatura científica mostram que os países que já passaram por quarentenas e isolamento social, seja por pandemias, desastres naturais ou guerras, tiveram que desenvolver um plano de ação de várias frentes para reparar os danos e recuperar as perdas. A ideia, aqui, é pensar maneiras de utilizar todos esses esforços que as escolas estão aplicando agora em um contexto de retorno instável, defasado, complexo e intrincado.

 

Retorno gradual

Sabemos que o retorno às atividades presenciais das escolas após a quarentena será completamente diferente da volta de recessos tradicionais. Uma série de medidas deve ser adotada por conta da instabilidade instalada pela pandemia.

Uma das alternativas para retomar de forma segura e responsável em relação à situação sanitária seria um regresso gradual. Nesse contexto, considerando um rodízio de estudantes e professores, manter parte das atividades a distância seria necessário. Continuar, então, utilizando as videoaulas e atividades online mesmo após o retorno presencial seria uma forma de transição.

 

Estratégias de recuperação de aprendizagem

Segundo a experiência de outros países, serão necessárias medidas de avaliação diagnóstica e recuperação de aprendizado, que poderão ter como recurso de apoio os próprios materiais desenvolvidos para as aulas não presenciais. As videoaulas, por exemplo, podem ser utilizadas como ponto de partida para atividades e material de estudo para avaliações e revisões.

 

Novo recurso didático

Apesar da limitação no sentido social, o ambiente virtual para ensino pode ser explorado em várias ocasiões e com diferentes objetivos. No caso de afastamento de estudantes por questões médicas, por exemplo, ter uma plataforma de manutenção das atividades é extremamente útil.

Além disso, a tecnologia e as mídias sociais são parte do nosso dia a dia. Utilizar essas ferramentas para incentivar uma interação intelectual entre os estudantes através de fóruns online, pesquisas, chats, aulas, etc. pode ser uma estratégia didática muito bem-sucedida.

As possibilidades de pesquisa rápida e conexão de conteúdos (a chamada “linkagem”) também podem ser orientadas para expandir o estudo e enriquecer o aprendizado.

O contexto atual reforça a necessidade de investimento na educação, do desenvolvimento de políticas públicas que contemplem a escola como ponto difusor do saber científico.

Tecnologia é estudo e ciência. Ela só existe pela procura e evolução do saber – ambos, ações inerentes à escola. Ter a tecnologia como uma das engrenagens desse grande mecanismo de ensino é ampliar as possibilidades, aprimorar o aprendizado e compreender que o conhecimento só existe para que possamos aprender cada vez mais, para buscar novos saberes, para sermos melhores.

Muito embora haja a premissa que atribui o caráter relacional do ensino-aprendizagem exclusivamente a professor e estudante, sabemos que a escola, como espaço de interação e desenvolvimento social, é, ao mesmo tempo, o que impulsiona e o que catalisa este processo. Na formação da identidade individual, as relações e referências advindas da escola são responsáveis por grande parte do reconhecimento do indivíduo enquanto ser social.

Em um contexto como o atual, de isolamento e ensino a distância, pode haver uma lacuna na configuração de estímulo cognitivo do estudante para aprendizagem. É preciso, portanto, buscar caminhos – inclusive, pela troca de experiências – para essa estimulação. Explorar as possibilidades de expansão através do ambiente virtual é uma ideia de ensino perspicaz, inovador e coerente.

 

Sugestões de leitura:

  • Políticas educacionais na pandemia da COVID-19: o que o Brasil pode aprender com o resto do mundo? Banco Mundial (2020)
  • Educação não formal: direitos e aprendizagens dos cidadãos(ãs) em tempos de coronavirus. Maria da Gloria Gohn (2020) https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/3259

Gestão financeira escolar no período de quarentena

As consequências da pandemia do Covid-19 são estruturais. A maneira como administramos e ensinamos está sendo revista para frear o contágio e salvar vidas. Essa é a prioridade. Mas, como a escola, uma entidade diretamente associada a um espaço físico, à interação e à presença, pode se manter diante de uma situação de isolamento? Como garantir uma gestão financeira equilibrada quando não podemos receber nossos estudantes na escola? É, de fato, um grande desafio. Mas, o compromisso da educação com o desenvolvimento humano é maior. Ele promove o diálogo, pensa estratégias e cria soluções – e é por ele que estamos aqui. A seguir, vamos focar em alguns temas que preocupam muito os gestores e mantenedores de escolas privadas.

As mensalidades na quarentena

Diante do isolamento, há quem questione a cobrança regular das mensalidades escolares, uma vez que os estudantes estão em casa. Entretanto, se a escola mantiver suas atividades por meio de aulas à distância ou com garantia de reposição, a cobrança da mensalidade é assegurada pelos órgãos de defesa das relações econômicas, uma vez que o serviço continua sendo prestado.

É claro que um exercício de solidariedade deve ser feito para compreendermos que esse questionamento vem de uma situação de possível instabilidade financeira familiar. Entendemos que a comunidade escolar é composta por vários agentes e tem muitas perspectivas e realidades. Por isso, é imprescindível que essa relação esteja fixada pelo diálogo. Oferecer descontos de pontualidade, negociar formas de pagamento e buscar acordos são formas que podem ser adotadas para evitar inadimplência e cancelamentos contratuais.

Vigiar os gastos e realocar recursos

Manter uma escola funcionando em uma estrutura adequada requer uma série de investimentos materiais, que representam uma grande fatia da distribuição financeira da instituição. Em um contexto de pandemia e suspensão das aulas presenciais, é preciso redistribuir recursos e evitar gastos significativos com o espaço físico da escola, uma vez que este, agora, está em segundo plano. Isso não significa negligenciar ou “esquecer” a escola física, mas procurar renegociar ou mesmo suspender temporariamente o contrato com serviços destinados à estrutura, como limpeza, manutenção predial, telefonia, etc.

Planejamento financeiro

Embora o foco, agora, seja passar por este momento difícil e superar as adversidades, é importante ter em mente que não sabemos o que o futuro nos reserva. É o preparo que evita um colapso em momentos de crise. Por isso, investir em um plano financeiro que contemple situações emergenciais é a estratégia mais assertiva para lidar com problemas como os que enfrentamos hoje. Destinar uma porcentagem da sua receita para construir esse “fundo emergencial” é uma medida que deve ser colocada ao lado das outras obrigações financeiras da escola. Isso possibilita um funcionamento regular e estável, mesmo em momentos de vulnerabilidade econômica.

Estamos em um cenário de crise global e não podemos prever com exatidão quanto tempo será necessário até que possamos voltar às ruas com segurança. Essa incerteza é o que agrava a preocupação com a gestão financeira porque diz respeito diretamente aos recursos empregados para manter as atividades da escola e garantir as portas abertas após a pandemia. Por isso, o momento exige calma, lucidez, estratégia e compromisso. Precisamos entender que a missão de ensinar pode ser cumprida à distância, mas que a instituição Escola, enquanto espaço social e de construção coletiva, deve ser preservado. No momento, o que podemos fazer é prezar pela vida e pela saúde de todos, unindo esforços e trocando ideias para que amanhã estejamos recuperados e fortalecidos.