Uma carinha sorridente. Um foguete cortando o céu. Uma máscara de teatro japonesa. Uma bandeira do Brasil. Uma mão fazendo “joinha”. Mate a charada: o que esses itens têm em comum?
Acho que você já descobriu! 😄🚀👺🇧🇷 👍
Sim, além de objetos da cultura, eles também são emojis! Aquelas figurinhas que incorporamos às nossas mensagens digitais para torná-las mais expressivas e acrescentar uma camada extra de sentido ao texto! Elementos simpáticos, mas não inocentes e muito menos gratuitos: afinal, eles guardam segredos que falam muito sobre a linguagem e a comunicação.
Um verdadeiro tesouro de conhecimento… formado por pixels!
Nesta edição de #EducaçãoHumaniza, vamos investigar os emojis para descobrir sua origem, importância e papel como parte da evolução de uma linguagem global. Venha com a gente!

“Uma imagem vale mais do que mil palavras”
Esse ditado manjadíssimo funciona totalmente para explicar os emojis. Mas, será que eles são, mesmo, uma novidade em termos de linguagem?
Sim, se pensarmos puramente em um contexto digital. Afinal, os emojis têm algo como trinta anos de existência, um pouco mais se considerarmos seus antecedentes, os emoticons.
Não, se pensarmos que o princípio de funcionamento de um emoji reproduz de forma aproximada o fundamento dos sistemas de escrita baseados nos pictogramas e nos ideogramas, como o chinês, em que a imagem que é lida como ideia.
Aliás, até quando alinhamos dois emojis para gerar uma terceira imagem mental (tipo 🚀 + 🌕 = “Corrida Espacial”), o mecanismo é o mesmo dos ideogramas compostos, que são os formados por outros ideogramas. Que, de resto, existem há mais de 5 mil anos! Vamos saber mais sobre esses sistemas e sobre como eles “se juntaram” na tela do seu smartphone.

Ideograma, fonema, emoji
Os sistemas de escrita fonéticos, como o que usamos neste texto, são uma derivação de ideogramas (que representam ideias) e pictogramas (que representam elementos concretos). Mas, derivam como?
Os sinais gráficos da escrita fonética (as letras) começaram com imagens que foram sendo simplificadas e associadas a sons, gerando letras e fonemas (que são a menor unidade sonora de uma língua). Os fonemas, por sua vez, passaram a ser combinados para formar outras palavras.
Um exemplo: a letra “A”, que nasceu do antigo hieróglifo egípcio “cabeça de boi” (e que tinha o som de “a”) e foi adaptada para a escrita proto-semítica como “Aleph”, depois pelos fenícios até chegar ao grego como “alfa” (“α”) e ao latim como “A”, passando então ao nosso alfabeto.
Os emojis, como vimos, são parentes ao mesmo tempo mais jovens e próximos dos ideogramas e dos pictogramas. Isso porque eles sintetizam ideias e objetos, e não fonemas: não há, por exemplo, um emoji para o fonema “mu”, mas há dois para vaca.
Assim, quando lemos uma frase que soma texto e emoji, na verdade estamos vendo uma fusão de sistemas – algo muito peculiar e interessante! Em tempo: na China dos ideogramas, é claro, também se usa emojis.
Em síntese, você pode usar emojis “sem medo de ser feliz” porque eles são práticos e, também, porque estão diretamente ligados ao desenvolvimento da linguagem e da escrita. E têm a ver com alfabetização e letramento, duas metas fundamentais da educação.
Mas, quando eles surgiram? É o que vamos descobrir agora.
No começo, um ponto-e-vírgula e um parêntesis
O quê?! Exatamente: junte esses dois sinais de pontuação, olhe de lado e você vai ter uma carinha sorridente – 😉 – que sinaliza ironia, cumplicidade ou bonacheirice. Tudo isso em apenas dois toques no teclado!
A “carinha sorridente piscando” é um clássico pré-histórico do universo dos emojis. Na verdade, ele não é um emoji, mas um “emoticon”. A palavra foi dicionarizada pelos especialistas da universidade de Oxford como “uma representação de uma expressão facial formada por uma breve sequência de caracteres de teclado (normalmente, para ser vista de lado) e usada em correios eletrônicos etc. para mostrar os sentimentos do emissário ou o tom pretendido na mensagem”. Percebeu que a definição fala em “expressão facial”? Taí a grande diferença entre os emoticons e os emojis; enquanto aqueles são “carinhas”, estes vão além!
O nascimento dos emoticons

Os emoticons nasceram no dia 19 de outubro de 1982, quando Scott Fahlman (foto ao lado), professor de Ciência da Computação da Carnegie Mellon University (EUA), criou uma regra simples para “botar ordem” nas mensagens de um dos primeiros fóruns eletrônicos do mundo, usados por estudantes e professores da instituição. A ideia era simples: mensagens sérias seriam complementadas pela “carinha” 🙁 ; mensagens irônicas ou piadas, com 🙂. Simples e efetivo!
Anos 1980 e 1990. A ideia de Scott Fahlman deu tão certo que gerou centenas de emoticons, criados pelos participantes dos fóruns. Eles incluíam a nossa conhecida “piscadinha”, a “surpresa” ( :-O ) e a “careta” ( 😛 ), além de peças complexas como o “Shrug”, ¯\_(ツ)_/¯, que significa algo como “não sei” ou “puxa vida, não há o que fazer nesta situação”.
Naquela época, vale lembrar, surgiram pequenos aparelhos para a troca de mensagens instantâneas de texto – os chamados “pagers” ou, no Brasil, “bipes” -, que também veiculavam muitos emoticons.

A revolução dos pixels
O que mais chama a atenção nos emoticons é a “sacada” que seus criadores tiveram para transformar sinais gráficos existentes, como pontos, vírgulas, traços e parêntesis, em partes de outros elementos gráficos com significados totalmente diferentes. Esses sinais, é claro, tinham limitações, mas eram aproveitados com o máximo de criatividade.

Ao mesmo tempo em que a “nova linguagem” era criada, a computação gráfica dava saltos. Nos anos 1970 e 1980 houve o surgimento dos jogos eletrônicos, que, graças à genialidade dos cientistas da computação, transformaram pixels – a menor unidade de uma imagem digital, aquele “pontinho de luz” que se repete na tela – em imagens elaboradas. Com o tempo, o tamanho dos pixels foi ficando menor, o que permitiu construir imagens mais elaboradas nas telas, e também imagens complexas menores.
A partir disso, muita coisa seria possível. Como, por exemplo, substituir os sinais gráficos (que eram formados por pixels) pelos próprios pixels. Eureka! Porta aberta para uma nova criação – os emojis! Vamos descobrir como eles nasceram e quem os criou.
Era uma vez no Japão
Voltemos nossos olhos para o Oriente. Mais exatamente para o Japão dos anos 1980, que surgia como superpotência econômica e tecnológica. Uma civilização cheia de história e apaixonada pelo novo, pelo digital e pelo miniaturizado, e com um enorme envolvimento tanto com as artes gráficas quanto com o entretenimento. Sem contar o uso cotidiano tanto de sistemas fonéticos quanto de ideogramas e pictogramas. O lugar ideal, enfim, para o nascimento dos emojis, que somam tudo isso!

Os primeiros emojis foram imaginados e criados pelo designer japonês Shigetaka Kurita (foto ao lado) e sua equipe na década de 1990. Na verdade, o primeiríssimo emoji foi o de um coração, que eles desenvolveram para um software da rede de telefonia NTT DoCoMo voltado a adolescentes.
A novidade foi um grande sucesso, e levou Kurita a imaginar um conjunto de 176 pictogramas com dimensões de 12 pixels x 12 pixels. Esse primeiro “set”, lançado em 1999, incluía emojis clássicos como “cara sorridente”, “sol” e “lâmpada”. E fez sucesso rapidamente, utilizado pelas pessoas nos sistemas digitais de troca de mensagens e, pouco tempo depois, na internet (que, naquele momento, já estava nas casas das pessoas).
O mais interessante foi perceber que as pessoas não duvidaram nem um instante em usar ou compreender o uso dos emojis. A leitura dos sinais pode passar, eventualmente, por variações regionais, mas, na média, eles se converteram em linguagem universal. Se você envia uma “carinha zangada” ao Japão, por exemplo, ela com certeza será lida e entendida!
Antes de avançar, vamos resolver um enigma: por que “emoji” tem esse nome? Tem a ver com “emoção”? Vamos descobrir.
A imagem-letra
Ainda que possamos fazer uma associação linguística entre “emotion”, “emoticon” e “emoji”, no caso desta última palavra a origem é mais específica. “Emoji” é a transliteração de 絵文字, palavra formada por 絵 (“e”, imagem) e 文字 (“moji”, caractere). Assim, emoji significa, literalmente, pictograma ou “imagem-letra”. O que faz todo sentido.
Uma linguagem viva
Com a tecnologia e as ferramentas disponíveis, qualquer pessoa com certo nível de conhecimento técnico poderia desenvolver seus próprios emojis. Isso, porém, não acontece justamente porque os emojis foram percebidos como uma linguagem, ou seja, como algo que é compartilhado e compreendido por muita gente. Assim como inventar palavras pode fazer com que a comunicação “bata na trave”, o mesmo vale para os emojis.
Neste exato momento existem 3.953 emojis oficiais, reconhecidos pelo Unicode Consortium, entidade sem fins lucrativos que mantém o padrão Unicode, que é o sistema universal de codificação de caracteres digitais. Esse sistema – que é utilizado no seu computador e no seu celular – foi criado no final dos anos 1980 pelos engenheiros Joe Becker, Lee Collins e Mark Davis.
Ou seja: há muito mais emojis do que nossos dedos costumam teclar! Para conhecê-los (e ampliar seu repertório), vale visitar e colocar na lista de favoritos a Unicode Emoji List, que reúne todos eles.

Vale observar que os emojis formam um sistema de linguagem vivo, ou seja, em constante expansão. E qualquer pessoa pode contribuir! Para isso, deve entrar em contato com o próprio Unicode Consortium e fazer a proposta.
Os integrantes do consórcio avaliam o novo sinal com base em critérios como relevância cultural, clareza visual, frequência de uso esperado e ausência de redundância com emojis já existentes. Os emojis aprovados são adicionados oficialmente à lista, com código único e descrição. Em média, cerca de 120 novos emojis foram incorporados à lista por ano nos últimos seis anos (a exceção ficou com 2021, na pandemia, com 31 acréscimos).
Conclusão: as surpresas da linguagem
Os emojis são um bom exemplo da capacidade humana de desenvolver linguagens e de romper barreiras culturais em nome de uma comunicação mais rápida e que possa chegar mais longe. Mais ainda, eles nos forçam a olhar ao mesmo tempo para a frente e para trás, ou seja, perceber como ideogramas, pictogramas e pixels se uniram para gerar algo de enorme impacto para a sociedade global. Emojis, enfim, não são “enfeites” em mensagens digitais, mas, efetivamente, conteúdo e cultura. Curtiu? Então, manda um “joinha”! 👍

















































