Um “Raio-X” da equipe pedagógica Opet

Equipe de assessores e supervisores pedagógicos da sede da Editora Opet, em Curitiba.

Em entrevista exclusiva, a gestora pedagógica da Editora Opet detalha a estrutura e o trabalho da nossa equipe pedagógica.

Há alguns meses, Cliciane Élen – professora, pedagoga, neuropsicopedagoga e mestranda em Educação – assumiu a gerência pedagógica da Editora Opet. Colaboradora com bastante tempo de casa, ela conhece em detalhes o trabalho desenvolvido pelos assessores pedagógicos nos municípios e nas escolas privadas parceiras Opet.

Entrevista a Rodrigo Wolff Apolloni

Qual é o papel da gerência pedagógica? Qual sua relação com os materiais pedagógicos?

Cliciane – A gerência pedagógica garante que todo o atendimento pedagógico acontecerá no prazo previsto, atendendo as expectativas dos parceiros, contribuindo para a formação desses profissionais que utilizam os materiais didáticos e, em especial, trazendo novas proposições para ampliar seus repertórios. Temos um olhar atento para o uso do material na formação do professor e sempre buscamos perceber o que podemos fazer a mais. Nosso papel é garantir, também, que nossa equipe esteja atualizada, para atender as pessoas da melhor maneira. Em outras palavras: nós olhamos para o todo o tempo todo, para verificar e garantir que estamos atendendo as expectativas dos nossos parceiros das escolas públicas e privadas.

É possível dizer que, entre as missões da equipe pedagógica, está a de “dar vida” aos conteúdos didáticos cristalizados nos materiais?

Cliciane – É isso mesmo. A equipe “dá vida” a tudo o que está registrado nos livros didáticos, até porque os livros são uma parte das nossas soluções. Eles são o ponto de partida, mas não “acontecem” sozinhos.  Daí a importância da relação entre o formador e o professor, lá na ponta. A formação cumpre esse papel. Sem a formação para o uso dos materiais, o professor atinge parcialmente os objetivos propostos com os estudantes. É possível até chegar a alguns resultados, mas não naquela plenitude que é possível e desejável. Sem a formação pedagógica correspondente, o uso do material fica limitado. Mesmo quando, como no caso da Editora Opet, temos materiais de alta qualidade.

Em que momentos se divide o trabalho da equipe pedagógica?

Cliciane – A formação de implantação do material didático é um momento indispensável. Uma boa implantação é fundamental para a sequência do trabalho. Em seguida vem a formação, que tem um caráter de continuidade do trabalho. Tanto que a nomenclatura mais correta seria “formação continuada”, porque o caráter é este. Por fim, temos a assessoria, que é feita pelos supervisores regionais. Assim, aqui temos dois momentos diferentes para grupos distintos: a formação, feita pelos formadores para os professores, e a assessoria pedagógica, feita pelos supervisores regionais com as secretarias e com as equipes gestoras. Essas ações, porém, se comunicam, elas não são estanques – os supervisores também vão aos professores. Nossa assessoria pedagógica é tão personalizada, tão voltada às demandas de cada parceiro, que é quase uma consultoria. Um trabalho que envolve implantação, formações, visita técnica, palestras, acompanhamento pedagógico e, a pedido dos parceiros, avaliações e uma base de dados.

Formação de professores

Formação pedagógica de início de ano letivo realizada com os professores de Paranaguá, no Paraná (2019). A formação é um momento de aprofundamento dos professores em relação aos conteúdos e ao uso dos materiais didáticos.

Qual é a estrutura da gerência pedagógica da Editora Opet?

Cliciane – Hoje, nós temos a matriz em Curitiba e outros dois polos, um em Natal e o outro em Fortaleza, para o atendimento dos parceiros públicos e privados no Nordeste. Dentro dessa estrutura geográfica, temos a gestora pedagógica, que sou eu, supervisores regionais, (que fazem o acompanhamento pedagógico e organizam toda a logística para os atendimentos), a supervisão pedagógica (que acompanha a elaboração dos planejamentos, das avaliações e de todas as formações) e equipe de assessores especialistas por aéreas e níveis da Educação – Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Arte e Educação Física. E contamos ainda com uma profissional que desenvolve todo nosso material de apoio, os layouts das nossas produções.

Qual é o perfil dos profissionais do nosso pedagógico?

Cliciane – Boa pergunta! Antes de mais nada, nossos profissionais são proativos e pesquisadores. Para fazer parte da nossa equipe é preciso, em primeiro lugar, ser um profundo interessado em educação, ir atrás de novas propostas, investigar o que já se tem, trocar experiências e trazer soluções para as questões do dia a dia. Quem trabalha em escola se depara com muitas situações envolvendo professores, estudantes, gestores e familiares. E, muitas vezes, se vê sem saber o que fazer. Uma de nossas missões é estabelecer diálogo com essa pessoa e auxiliá-la. Incentivando, articulando e trazendo propostas para a superação das questões. Assim, quando a gente faz todo esse esforço, tem toda essa vontade, é por um bem maior. Isso é o que nos motiva, que faz com que sejamos educadores.

Formação Educação Física

Em Pitanga (PR), professores de Educação Física participam de uma formação pedagógica com foco nas possibilidades de trabalho em atividades físicas, esportes e jogos.

Ao longo do ano, a equipe pedagógica se reúne várias vezes para dialogar, planejar, aprender e fortalecer o trabalho. Como funciona esse processo?

Cliciane – Há poucas semanas, realizamos o primeiro desses encontros, que foi chamado de “Alinhando as Ideias”. Nós olhamos para o nosso cenário, para os nossos parceiros em todo o país, professores, gestores e estudantes. E, nas discussões, também voltamos às nossas propostas, aos princípios que norteiam o nosso trabalho. Além disso, também trouxemos um palestrante externo, que nos falou sobre a arte da “escutatória”, com base na obra do Rubem Alves. Trabalhamos o ouvir, inclusive para fortalecer nossa capacidade de atender as demandas das escolas e dos municípios parceiros. Em termos figurados, a gente está sempre regando a planta para que ela floresça sempre, independente da época do ano. Sendo primavera ou não, precisamos florescer sempre. E isso vem da equipe, o que é muito legal.

Equipe Pesagógica

A “cara” do pedagógico da Editora Opet em março de 2019.

2019: um novo Colégio Opet, com a cara da Editora

Nas últimas semanas, o Grupo Educacional Opet deu início a um projeto estratégico na área pedagógica. Esse projeto, que vai transformar o Colégio Opet em uma das instituições de ensino mais inovadoras de Curitiba já a partir de 2019, tem relação direta com o nosso trabalho na Editora Opet. Como primeiro passo dessa transformação, houve uma aproximação estratégica entre a Editora e o Colégio, que passa a ser uma escola de referência para todo o trabalho. Dentro da nova proposta, a gestora pedagógica Caren Helpa passou para a direção educacional do Colégio Opet, e a coordenadora pedagógica Cliciane Élen assumiu a gerência.

A superintendente da Editora, Cristina Swiatovski, detalhou as mudanças em uma entrevista exclusiva. Confira!

Entrevista a Rodrigo Wolff Apolloni

O Colégio Opet vai iniciar o ano de 2019 com uma proposta inovadora de trabalho pedagógico. Como nós estamos participando dessa mudança e como ela vai afetar o trabalho da Editora?

Cristina – Essa aproximação é importante para fortalecer ainda mais o nosso trabalho junto ao segmento da educação privada. Em 2018, consolidamos o selo Opet Soluções Educacionais junto às escolas privadas, ao mesmo tempo em que consolidávamos o selo Sefe junto às redes públicas de ensino. Tivemos um crescimento importante no número de parceiros privados e percebemos, nestes parceiros, uma necessidade. Eles querem uma escola que não seja referência apenas na utilização do material didático, mas na formação dos professores e na gestão, nos indicadores do negócio, comerciais e de marketing. Com o projeto – que foi amplamente debatido nos últimos meses – vamos oferecer isso aos nossos parceiros, ao mesmo tempo em que oferecemos uma escola inovadora e de alta qualidade à sociedade curitibana. Será uma escola de referência. A ideia é que nossos parceiros e prospects tenham, nela, um modelo de gestão e de sucesso, e que o nosso trabalho possa auxiliá-los em seu próprio sucesso.

O que muda, em termos de gestão, para a Editora Opet?

Cristina – O único movimento que tivemos foi em relação à professora Caren Helpa, nossa gestora pedagógica, que assumiu a diretoria educacional, respondendo pelo Colégio Opet e fazendo a ponte com a Editora. A professora Cliciane Élen, que era coordenadora pedagógica, assumiu a gerência pedagógica. Não houve qualquer mudança em relação às demais posições – a equipe segue a mesma, assim como a filosofia de trabalho e o calendário de formação e assessoramento pedagógico dos docentes.

O que a ida da professora Caren Helpa representa dentro da nova configuração do Colégio?

Cristina – A professora Caren é uma pessoa muito focada na formação de professores e, também, uma pesquisadora em inovação. Ela vai para o Colégio Opet com esse propósito. E, a partir do momento em que os primeiros frutos forem colhidos – e eles serão –, a Editora também vai usufruir desses estudos, práticas e pesquisas. Como diretora educacional, a Caren será o elemento de ligação conosco. A proposta da Editora é levar esses ganhos para as escolas conveniadas e criar uma rede de escolas conveniadas Opet. Sempre respeitando a marca e a identidade de cada escola, mas uma rede em termos de metodologia de trabalho.

Estudos para os ambientes do novo Colégio Opet. Projeto vai transformar o Colégio em um dos espaços educacionais mais inovadores de Curitiba.

Quais os passos para a transformação do Colégio Opet na nova escola?

Cristina – Em breve, O Colégio vai passar por uma avaliação da proposta pedagógica. Em seguida, vamos fazer um estudo para a adequação física porque queremos que o ambiente seja o “terceiro educador”. Para isso, vamos transformar o espaço, aproveitando a estrutura maravilhosa de que dispomos. E o que vai mudar? Vamos fazer com que as atuais instalações do Colégio no Bom Retiro – o chamado Bloco I –, que hoje também abrigam alguns cursos superiores, abriguem apenas as atividades do Colégio. Com isso, teremos muitos espaços com formatos diferentes, salas-ambiente para alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e outras coisas nesta linha. Mais importante do que as mudanças físicas, porém, é a equipe que vai ser construída.

Como o novo Colégio Opet vai influenciar o trabalho da Editora? O que podemos aprender e oferecer aos nossos parceiros?

Cristina – Nosso trabalho vai mudar. Quanto mais você qualifica os professores, mais exigentes eles ficam e isso é muito bom. É uma via de mão dupla: você leva os livros ao Colégio e ele nos devolve questões, vivências e informações. E, como proposta, queremos abrir a escola para o mercado e mostrar que, em Curitiba, temos um grande centro de formação de professores. Que vá além, inclusive, da formação continuada dos nossos professores. Para que professores e gestores de outras escolas, não parceiras, também possam participar.

Todas essas mudanças começam em 2019?

Cristina – Com certeza! Na verdade, planejamos e iniciamos as mudanças há mais de seis meses. Todos os colaboradores no Colégio já foram informados e já começamos a migração dos cursos de Administração e Contábeis do Bloco 01 para o Campus Rebouças. Além disso, o Bloco II, que fica ao lado do Colégio, será transformado em Escola Jurídica. Assim, o Campus Rebouças receberá todos os cursos superiores do Centro Universitário UniOpet. Esses cursos passam a ser divididos em escolas – Escola de Negócios, de Gastronomia, de Bem-Estar, de Comunicação, entre outras, o que vai dar mais dinâmica e aproveitamento.

Como o projeto do novo Colégio Opet afeta a Cidade Mirim, que é o grande projeto pedagógico do atual Colégio Opet?

Cristina – Atualmente, a Cidade Mirim tem um projeto muito focado na cidadania, que será mantido, mas com um alinhamento em relação ao dia-a-dia da escola. Hoje, o projeto é muito pontual em suas ações e em seu público, e a proposta é de que seja mais amplo. A Cidade Mirim, hoje, está muito focada nos estudantes do primeiro ao quinto anos do Ensino Fundamental, e nós queremos que ela alcance todos, da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Carmen Gabardo fala sobre diretrizes teórico-pedagógicas da Editora Opet

Ao longo dos anos, a professora Carmen Lucia Gabardo – pedagoga, mestre em Administração de Sistemas Educacionais pela PUCRS e doutora em Letras e Estudos Linguísticos pela UFPR – se destacou como pensadora e como defensora de uma educação mais cidadã, crítica e capaz de transformar a sociedade. Uma parte importante dessa trajetória foi feita em parceria conosco: primeiro, no início do século 21, com a Base Editorial, que daria origem ao Sefe; depois, com o próprio Sefe e, a partir de 2015, com a Editora Opet, que congrega os selos educacionais Sefe (para a área pública) e Opet Soluções Educacionais (para a área privada). Junto com os colaboradores dos setores pedagógico e editorial, Carmen participa ativamente da construção e da materialização dos princípios filosóficos que norteiam a assessoria pedagógica e os materiais didáticos e da Editora Opet. Uma profissional, enfim, que conhece como poucos os princípios que nos movem na educação.

Nesta entrevista exclusiva, ela falou sobre as Diretrizes Teórico-Metodológicas da Editora Opet e do trabalho de fazer com que essas regras norteiem as coleções utilizadas por professores de escolas públicas e privadas de todo o país.

 

Editora Opet – No ano passado, a gerência pedagógica da Editora se reuniu para debater e estabelecer as Diretrizes Teórico-Metodológicas que passaram a nortear o trabalho desenvolvido com os parceiros das escolas públicas e privadas. A senhora teve um papel importante nesse processo. O que são as Diretrizes? Qual seu papel?

Carmen Gabardo –  A nossa preocupação sempre foi a de desenvolver uma filosofia, a do compromisso com a educação. E, a partir do momento em que você explicita o tipo de formação que se quer, como se quer realmente atingir a população escolar e os professores, cria condições para que esse processo seja de boa qualidade. Entram aí as concepções de homem, sociedade e educação, assim como as questões da função da escola e da família – estes elementos, todos, nos conduzem a uma reflexão teórica.

Então se tem, realmente, uma política educacional que busca uma formação plena do nosso aluno para a cidadania, respeitando o que preceituam as leis maiores que regem a educação. E isso nos possibilita adequar a parte pedagógica, a tradução metodológica desses princípios, em livros para os alunos, no instrumental necessário para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem.

Assim, a partir dessa concepção, que nós já tínhamos – que a Editora Opet já possuía e que o Sefe já possuía -, fizemos um entrosamento, uma explicitação, que foi materializada nas Diretrizes Teórico-Metodológicas. E, a partir delas, estamos analisando todas as obras desenvolvidas pela Editora Opet.

Quais são os princípios que norteiam as Diretrizes?

Carmen – A concepção de que o aluno é sujeito da História, que ele produz cultura, de que o ser humano, a partir do momento em que se relaciona, na interação com o outro, se faz e se vê. Assim, a própria concepção linguística é a do outro, do diálogo. Para que a gente possa realmente entender e fazer entender. Ouvir o outro, entendê-lo e trabalhar com ele no desenvolvimento das suas habilidades – do instrumental de conhecimento de que o indivíduo precisa para poder interferir na sociedade, transformando-a, quiçá para num bem comum e justo.

Essa é uma concepção baseada em Vygotsky? [Lev Vygotsky, 1896-1934, psicólogo e teórico do desenvolvimento]

Carmen – Nós temos nossa perspectiva de desenvolvimento humano pautada em Vygotsky. Claro que não negamos outras contribuições de conhecimento, mas Vygotsky foi muito feliz quando falou dessa interação e dessa mediação. E, quando falamos do aspecto linguístico, estamos falando da própria concepção bakhtiniana, porque Bakhthin [Mikhail Bakhtin, 1895-1975, filósofo da linguagem] também vai por essa razão do diálogo, da enunciação, do perceber o outro. E que esse outro realmente é reflexo histórico das condições em que vive, do entorno e com a relação com o outro.

De que forma Paulo Freire entra no DNA do nosso olhar pedagógico?

Carmen – Paulo Freire fez todas as suas pesquisas demonstrando que é a partir da percepção do outro, do mundo do outro, da forma como este outro interpreta o mundo, que podemos fazer as análises, as sínteses, as trocas. Então, é a mesma percepção de um social que se quer participativo, que não tem tantas desigualdades e que permite às possam usufruir, de fato, os bens culturais.

Ou seja: as nossas fontes, os nossos referenciais teóricos, guardam uma coerência que se reflete nas Diretrizes Teórico-Metodológicas.

Carmen – Sem dúvida!

O processo de um sistema de ensino contempla a necessidade de renovar coleções existentes e de se criar coleções novas, que atendam às mudanças no mundo. Como as Diretrizes Teórico-Metodológicas  participam desse processo?

Carmen – Você tem os conceitos estruturantes de cada disciplina, de cada área do conhecimento, e tem esses princípios filosóficos, que indicam como desenvolver determinadas formas de raciocínio e determinadas formas de aprender. Por exemplo: considere um especialista do sexto ao nono ano do Ensino Fundamental, por exemplo, com conhecimento em si da disciplina. Você vai trabalhar com ele didaticamente, e essa didática é que vai se prender à Psicologia, às teorias do desenvolvimento humano, para dizer que ele precisa ter determinadas atividades que desenvolvam as formas de pensar, que estabeleçam certas relações de compreensão crítica, a própria percepção de que esse conhecimento foi construído na História pelos próprios homens e que ele está se refazendo a cada momento. Que a ciência, apesar de estar falando “cientificamente”, também passa por modificações ao longo do tempo. Então, reunimos esses elementos. Por quê? Acreditamos que o indivíduo, quando se apropria do conhecimento, consegue interpretá-lo, perceber as diferentes visões de mundo e atuar em função do bem comum.

Como se coloca uma proposta de viés humanista quanto essa em coleções que são levadas ao mercado?

Carmen – Independente de se trabalhar para escolas públicas ou privadas, o educador, que se diz e se sabe educador, tem um compromisso com o desenvolvimento humano. Então, independente do lugar de onde se vem, quando você produz um livro, este livro deve contribuir para o desenvolvimento do aluno para o bem, seja ele da escola pública ou privada. Consequentemente, o trato que se tem é absolutamente o mesmo. Os profissionais que atuam tanto na escola pública quanto na escola privada (e muitos deles ocupam as duas posições) têm um compromisso com a ciência e com a educação. Eles vão utilizar instrumentos, sejam eles produzidos por uma empresa ou não, da melhor forma. No caso de uma obra que já existia e que está sendo atualizada, como é feito o trabalho de reestruturação? Fazendo-se a análise dela em função, até, das normas educacionais que estão sendo discutidas agora, que é o caso da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelecem tantos conteúdos e tantas metodologias, tantas competências e tantas habilidades. Então, você pega uma obra e a analisa esta obra em função dos princípios filosóficos, psicológicos, pedagógicos, e daí a complementa. Porque o conteúdo está aí, mesmo com a possibilidade de alterações e mudanças que são naturais.

Como você avalia as nossas coleções hoje. E para onde caminhamos?

Carmen – As percepções são feitas partindo do que os usuários dizem, do que apontam. Então, você tem proposições de quem usa, da base. E, como tem percepções dessa base, o que é o fundamental – até mesmo porque, se oferecer a obra e não oferecer o assessoramento, a discussão e o diálogo, estará pecando –, quando você tem esse vínculo, vai vendo que as nossas obras têm tudo para chegar lá. Porque elas provocam. E o profissional arejado, crítico, consegue pegar essas obras, esses elementos, e transformá-los naquilo que é necessário. As obras, enfim, são instrumentos. As obras são vivas porque são utilizadas, e a mediação é feita pelo professor.