Brincar é ir além!

Você já parou para pensar para que servem os brinquedos e as brincadeiras? Eles, é claro, servem para divertir, entreter e aproximar pessoas. Mas, para além disso, possuem uma função extraordinária, relacionada ao desenvolvimento cognitivo e ao aprendizado. Brincar, enfim, não é só brincadeira – é muito mais! Vamos saber?

Brincadeiras, movimento e Psicomotricidade: que tal começar por aqui?

A psicomotricidade é de suma importância para o desenvolvimento infantil, pois está relacionada aos movimentos, aos aspectos cognitivos e à conexão com o mundo interior e exterior da criança. Entenda alguns dos benefícios das brincadeiras que envolvem a Psicomotricidade:

  • Equilíbrio: ajuda a criança a aprender manter o corpo firme e estável enquanto caminha, dança, corre ou faz qualquer outro tipo de atividade.
  • Consciência corporal: as crianças passam a dominar o seu corpo e a entendê-lo dentro do espaço, adquirindo, também, noção espacial.
  • Consciência espacial: as crianças aprendem a ir de um ponto a outro sem se perder, construindo memórias e fazendo relações. Brincadeiras como a de esconde-esconde são um bom exemplo.
  • Coordenação parcial e global: com as atividades que trabalham a psicomotricidade, a criança aprende a fazer movimentos diversos, sejam eles lentos ou em velocidade.

Por isso, é tão importante propor brincadeiras que envolvam a movimentação corporal. E tem mais: além de as brincadeiras corporais ajudar nas emoções, elas também contribuem para o desenvolvimento de habilidades cognitivas fundamentais. Assim, sugerimos algumas brincadeiras: 

Esconde-esconde: brincadeira estimula consciência corporal e espacial

Além de trabalhar o movimento e, portanto, a psicomotricidade, essa brincadeira ajuda as crianças a estimularem sentidos como visão e audição. Quanto à psicomotricidade, há um ganho quanto ao desenvolvimento do equilíbrio, da velocidade e, é claro, da noção do espaço. Sem contar que a brincadeira ajuda na percepção do mundo.

Coordenação motora? Amarelinha!

Coordenação motora talvez seja o grande ganho proporcionado pela Amarelinha. Ela também promove a consciência corporal e o equilíbrio, intimamente ligados à coordenação motora. Além disso, brincadeiras como essa auxiliam no desenvolvimento da musculatura, do sistema cardiorrespiratório e de ossos saudáveis.

Pular corda: coordenação, equilíbrio, ritmo e socialização em uma única brincadeira

Outra brincadeira que contribui bastante para a coordenação motora corporal é pular corda. Veja só quantas são as possibilidades de brincar!

  • Reloginho;
  • Cabo de guerra;
  • Laçar o bezerro;
  • Equilíbrio;
  • Pular num pé só;
  • Pular no ritmo de cantigas.
  • Sair e entrar no ritmo das batidas da corda.

Ao pular corda, a criança pula, salta, canta e, dependendo da atividade, segue o ritmo de coreografias e trabalha a habilidade de antecipação. E tudo ao mesmo tempo! Uma atividade poderosa, que tem reflexos positivos sobre o sistema cardiorrespiratório.

Mais jogos e brincadeiras que trabalham a psicomotricidade e outras habilidades associadas

  • Twister;
  • Pebolim;
  • Patins;
  • Pingue-pongue;

Vale lembrar que a psicomotricidade também envolve aspectos associados ao desenvolvimento da comunicação e da linguagem. Comunicação corporal, motricidade fina e outros… tudo ali, no brincar!

Brincadeiras para trabalhar comunicação, criatividade, fantasia e imaginação

É fundamental trabalhar o imaginário e despertar a curiosidade das crianças. As brincadeiras, principalmente as que envolvem imaginação e fantasia, como o faz-de-conta e as encenações, trabalham dimensões psíquicas, emocionais e físicas.

Elas ajudam as crianças a se perceberem no mundo, entender papéis e aprender sobre interações, socialização, comunicação e expressão de pensamentos e ideias. Sem contar que são cruciais para a saúde mental das crianças. Descubra algumas das atividades que trabalham a imaginação e a partir dela vários outros pontos! 

Pintura é uma das atividades mais ricas para a cognição e as emoções

A pintura é uma atividade superdivertida, que tem o poder de estimular habilidades inerentes ao ser criança. Com ela, é possível trabalhar a comunicação e a criatividade. Ainda mais se a pintura juntar a criançada toda! E, sim, vai sobrar muita tinta pra todo lado, mas nada que algumas folhas de jornal no chão ou um lugar adequado (como um jardim, por exemplo) não resolvam! É uma atividade que também estimula a sensibilidade e aumenta a capacidade de concentração e expressão das crianças.

Momento da leitura: o poder da contação de histórias

Na etapa de alfabetização, é muito comum utilizar a contação de histórias como recurso pedagógico. Mas, contar histórias vai além da aquisição da linguagem. Nesse processo, estão envolvidos a imaginação, a fantasia e a capacidade de interpretar. Um recurso fantástico! Vale a pena, por exemplo, caprichar na leitura por meio de:

  • Imitações;
  • Criar vozes para os personagens
  • Utilizar recursos como instrumentos musicais, ursinhos de pelúcia, fantoches e outros.

E, por falar em fantoches, nada mais poderoso para trabalhar a fantasia, bem como a capacidade de socializar e comunicar, do que as encenações. Teatros tradicionais ou de fantoches podem e devem acompanhar as histórias.

Teatros de fantoches, encenações e mímica

As crianças adoram imitar seus super-heróis favoritos, não é mesmo? Muitas vezes, até possuem roupas e fantasias desses personagens. Então, que tal tornar a atividade ainda mais elaborada?

Uma das atividades para as férias pode ser a proposta de brincar de fantasias, de imitar ou encenar. Isso pode partir da contação de histórias, com a encenação de um conto de fadas, de uma história de filme ou até mesmo de histórias inventadas pelos adultos e crianças participantes. Dentre os benefícios das encenações, estão o estímulo à invenção de personagens e ao desenvolvimento e aprimoramento da capacidade de comunicação.

Opções para criatividade, comunicação e socialização

Jogos de tabuleiro e outros tipos também ajudam muito na imaginação. Veja algumas opções!

  • Jogo Imitatrix;
  • Torre inteligente;
  • Stop;
  • Brincando de Engenheiro;
  • Quem sou Eu.

Brincadeiras e o raciocínio lógico

O raciocínio lógico é necessário em todas as áreas do conhecimento. Ele diz respeito ao pensamento para resolver um problema ou chegar a alguma conclusão.

As brincadeiras e, principalmente, os jogos online ou físicos contribuem para o desenvolvimento do raciocínio lógico, pois, para chegar ao seu fim, as crianças precisam elaborar estratégias, definir soluções e superar desafios.

Sem contar que esse tipo de atividade coloca o indivíduo em várias situações que necessitam resolução de conflitos, colaboração, tomada de decisão e reflexão. Também podemos citar a habilidade de persistência, algo que pode ser adquirido com os jogos e é extremamente importante para qualquer momento da vida.

Para as estimular o raciocínio lógico por meio das brincadeiras, sugerimos opções como:

  • Lego;
  • Mímica;
  • Banco imobiliário;
  • Xadrez;
  • Damas;
  • Quebra-cabeça.
  • Cara a Cara;
  • Jogo da Memória;
  • Dominó;
  • Lince;
  • Cilada;
  • Alquimia;

Jogos de estratégia como os citados acima, ou aqueles que envolvem conhecimentos científicos, como Alquimia, são algumas das melhores opções para ajudar a criança a desenvolver o raciocínio lógico.

Use a tecnologia a favor da educação com a Opet INspira

Por fim, vale destacar os jogos online. Para solucioná-los, a criança utiliza estratégias, lógica e conhecimentos escolares. Sem contar que muitos deles envolvem criatividade e a fantasia. E há várias opções inclusivas.

Na plataforma educacional Opet INspira, por exemplo, as crianças têm acesso a vários jogos educacionais exclusivos, desafiadores e divertidos. A plataforma também traz livros de histórias infantis, atividades, vídeos e áudios. Um recurso fantástico para esse universo incrível do brincar!

Especial Educação Infantil #03 – Fraibugo (SC): uma lupa na mão… e muitas descobertas!

Crianças são, por natureza, curiosas. Cada uma do seu jeito: algumas mais ousadas, outras mais observadoras… todas, porém, com muitas interrogações e com muitas exclamações a cada descoberta, em um processo natural de desenvolvimento cognitivo. A escola, é claro, tem um papel fundamental nesse diálogo com o mundo, muito mais em um tempo em que, muitas vezes, as crianças estão expostas a tantas informações e a tantas distrações.

Diante desse desafio, a professora Roseli Maria Machado (foto), professora do Centro de Educação Infantil (CEI) Estrelinha, em Fraiburgo, município do Meio Oeste catarinense, desenvolveu uma prática pedagógica para incentivar a curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento e o conhecimento das crianças em relação ao mundo físico e social, ao tempo e a natureza. “Este trabalho teve início na metade do mês de abril e se prolongou para incluir, também, as famílias, e por despertar ainda outros interesses, agregando novas possibilidades”, conta Roseli.

O trabalho foi feito com crianças do Pré I, com idades de 4 e 5 anos e perfil eclético: uma realidade plural, com muitas possibilidades de trabalho e descobertas.

Uma jornada de investigação… transmitida em Língua Brasileira de Sinais!

“As formações pedagógicas do Sefe sempre focam no protagonismo da criança, em seu encantamento e nas muitas infâncias”, explica Roseli. “Como as crianças são curiosas por natureza, busquei alcançar esses focos. Fazendo com que elas desvendassem seu entorno por meio dos sentidos: tocando, observando, explorando…”, continua. Foi quando ela lembrou de uma antiga ferramenta de exploração muita desejada por crianças em todo o mundo: a lupa. “Percebi que a lupa seria um instrumento ideal, que poderia proporcionar esse aprender sobre o mundo de modo prazeroso”, explica.

E assim, munidos de uma lupa, os pequenos puderam explorar elementos da natureza como plantas, sementes, insetos, frutas, também objetos e tudo o que mais lhes chamasse a atenção. Em um primeiro momento, com sugestões oferecidas pela professora e por algumas crianças e, em seguida, movidas pela própria curiosidade, nos espaços de sua preferência dentro do ambiente escolar.  Num segundo momento, junto com as famílias, elas partiram para a exploração do ambiente de suas casas e arredores.

Com lupas e microscópios, as crianças descobriram muitas coisas… e se divertiram bastante!

Todo esse processo foi documentado em fotos, vídeos e depoimentos, registros que, para além do momento presente, também se constituem em algo importante para o futuro.

E os resultados? “Percebi um enriquecimento da percepção. As crianças desenvolveram um olhar mais atento e investigativo. Além disso, descobriram muitas coisas em relação à natureza, o que acabou gerando curiosidade e motivação nas famílias. O mais importante, porém, foi o encantamento pelas descobertas e pelos elementos da natureza – em especial, os insetos!”, conta Roseli. No decorrer da prática, aliás, até um microscópio entrou em ação: ele foi usado para explorar em detalhes coisas como a casca de uma cebola e um cabelo. As crianças, é claro, se encantaram!

Para a supervisora pedagógica Marina Cabral Rhinow, responsável pelo atendimento da Educação Infantil na Editora Opet, um ponto alto da prática pedagógica da professora Roseli é a união entre protagonismo e curiosidade. “É possível perceber, nas crianças, esse despertar do processo investigativo. Elas usaram lupas e foram explorar o mundo. E a professora atuou como mediadora, fazendo com que as próprias crianças assumissem o protagonismo das experiências de aprendizagens possibilitadas. Isso tem muito valor e pode inspirar outros professores”, avalia.

Pesquisa de campo: o relato de um jovem investigador!

GOSTOU DESTA REPORTAGEM? Então, confira a primeira e a segunda reportagens desta série especial sobre a Educação Infantil, com as professoras Carina Stadler, de Pitanga (PR), e Ana Paula Borella, de Cotia (SP).

Especial Educação Infantil #02 – Cotia (SP): parlendas, jogos e brincadeiras digitais

Pandemia. Aulas presenciais suspensas, crianças e professoras em casa, necessidade de manter o processo de ensino-aprendizagem e avançar na educação. Nesse contexto tão difícil vivido pela educação nos últimos dois anos, as ferramentas digitais ganharam uma importância estratégica. Sozinhas, porém, elas são incapazes de dar conta de tamanho desafio. Precisam, sim, da criatividade, sensibilidade, domínio técnico e ação de quem educa. E foi justamente aí, nessa configuração tão peculiar, que nasceu o projeto da professora Ana Paula Borella (foto), da rede municipal de ensino de Cotia, parceira da Editora na região metropolitana da capital paulista.

Ao longo de todo o ano de 2021, Ana Paula, que é professora de Educação Infantil no Centro Educacional Walmor Caetano Ferraretto, desenvolveu o projeto “Músicas e Parlendas” com o auxílio das outras professoras do segmento. Juntas, elas fizeram uso de uma verdadeira bateria de ferramentas educacionais digitais, com grande sucesso na organização e oferta de atividades para as crianças.

“Como estávamos em um período de aulas remotas, desenvolvemos o projeto por meio de vídeos pelo YouTube feitos pelas próprias professoras”, conta Ana Paula. “Com propostas de músicas, parlendas, jogos e brincadeiras, jogos utilizando o site Flippity, o passo-a-passo do projeto usando o Google Apresentações e, também, os jogos da plataforma educacional Opet Inspira.”

Em junho, por exemplo, elas realizaram um trabalho focado nas festas do período. “Nós montamos uma sequência didática com propostas relacionadas ao tema das festas juninas. E só pudemos confeccionar essa sequência didática com o auxílio das formadoras da Editora Opet, que desde 2020, nos cursos, nos instruíram sobre as ferramentas. Foi lá, por exemplo, que eu aprendi a usar o Google Apresentações com tanta propriedade e também o Padlet, outra ferramenta muito utilizada ao longo de todo esse período”, conta Ana Paula.

O “Circuito da Dona Aranha”, uma das atividades criadas pela professora Ana Paula Borella para as suas crianças do Maternal I.

A sequência didática contava com brincadeiras como “Pula Fogueira”, confecção de brinquedos, aula de culinária, jogos virtuais, dança a caráter e montagem de fotos usando um site indicado pelas professoras – só para citar alguns elementos.

E como as crianças responderam a tantas novidades digitais? “Pude observar muitos avanços, tanto na coordenação motora quanto na oralidade. Foi um trabalho incrível!”, comemora a professora. As famílias, é claro, foram muito ativas nesse processo, inclusive por seu papel de mediação entre a criança e a tecnologia. “Elas demonstravam isso através de fotos e vídeos enviados pelo WhatsApp e pelo Google Sala de Aula”, conta Ana Paula. “Mesmo com a volta as aulas presenciais, as famílias continuaram a usar esses recursos. Na verdade, está sendo uma parceria maravilhosa.”

Para Marina Cabral Rhinow, supervisora pedagógica da Editora Opet responsável pelo trabalho com a Educação Infantil, o trabalho das professoras de Cotia tem como grande mérito, como grande diferencial, demonstrar o papel organizador e realizador das ferramentas digitais (como as do Google Workspace for Education e outras, como o Padlet) na Educação Infantil.

“A professora Ana Paula faz isso com muita propriedade. Nesse processo, ela é capaz, por exemplo, de elaborar jogos usando as ferramentas digitais, para que as crianças aprendam de forma lúdica. Isso é algo inspirador.”/

Na próxima reportagem especial (#03), vamos falar sobre o trabalho da professora Roseli Maria Machado, de Fraiburgo (SC) – Confira!

Confira também a primeira reportagem da série, sobre o trabalho da professora Carina Aparecida Stadler, de Pitanga (PR).